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VIAGEM PELO SECTOR II – KAMARATA-KANAIMÖ, RUMO AO SALTO ANGEL – PARTE 3

Foram dez dias de viagem, de carro, de avião, de van, de carrinho de golf, de canoa, de barco e a pé, passamos por camas e redes das mais simples às mais luxuosas, foram mais de 15 comunidades que passamos, muitos atrativos turísticos, mas nenhum deles me fez ficar mais encantado do que a alegria daquele povo, seu sorriso, sua recepção calorosa, tudo que vivemos vai deixar saudades, mas com toda certeza, os kamarakotos deixarão mais!

Amanhecer em frente ao Santo Angel, ele sabia que iríamos embora e ele se mostrou, ficou ali para se despedir

SÉTIMO DIA

Acordamos por volta das 5:30 na comunidade indígena Saraurai’pa, arrumamos nossos equipamentos e fomos convidados para tomar um delicioso e reforçado café da manhã.

Antes do café da manhã pudemos acompanhar uma linda melodia cantada por um dos membros da comunidade

Conhecemos a igreja e a escola da comunidade e nos despedimos deles, seguindo para nosso próximo roteiro e um dos últimos da viagem, Salto Angel ou Körepakupayvena (Pemon Kamarakoto).

Com tudo pronto, era a hora de seguir viagem
Passamos por várias partes onde o rio era muito turbulento

Passamos por algumas corredeiras no Rio Karak, e paramos para almoçar por volta das 12h, saímos às 14h e seguimos até chegar ao Rio Churun, um rio bastante caudaloso, cheios de corredeiras e de pedras gigantes.

Paramos algumas vezes pelo caminho para descer do barco, ele atravessava com o barqueiro pela partes caudalosas e íamos a pé até encontrar o barco de novo

E, após seguir por esse rio, começamos a enxergar ele, imponente diante de tudo ao seu redor, o Körepakupayvena, conhecido como Salto Angel, “descoberto” por Jimmy Angel na década de 30.

Cânion del Diablo

Paramos no Cânion do Diabo (dizem que ali habitam alguns espíritos) para fazer algumas fotos e admirar a paisagem.

E em toda viagem éramos fotografados pelas lentes do Antonio Hitcher

Chegamos ao acampamento que fica de frente ao Salto, e lá estava ele, todo coberto, e aos poucos, meio que timidamente começou a se mostrar para nossa equipe, gigante, lindo e perfeito. Suas lendas realmente fazem jus à tudo o que representa, e diante de toda essa beleza me sinto minúsculo e privilegiado por estar ali, contemplando aquele criação da natureza.

Nossa primeira reunião em frente ao Salto Angel

Tivemos uma breve reunião do que estaria previsto acontecer no próximo dia, iniciando às 2h da manhã, então, sem demora já corri para jantar e descansar.

Aproveitei a noite, que aparentava que iria chover para poder fazer esta foto, pois não queria esperar até o outro dia

OITAVO DIA

Amanheceu assim, parecia que o Salto Angel estava com vergonha de nós, mas aos poucos foi abrindo

E, no oitavo dia, eu acordei cedo, ansioso em vê-lo, doido para relembrar todos os vídeos, filmes e sonhos que tive sobre você, pode até parecer estranho, falar assim de um lugar, mas não tem como não falar assim de você, Körepakupayvena, portador de várias lendas e histórias, chamei assim, pois é o seu nome real, nome de batismo, nome de nascimento, embora outros te conheçam como Salto Angel.

Com o tempo ele começou a se mostrar

Levantamos, aproveitamos para as últimas fotos do amanhecer, tomar aquele café muito gostoso preparado pela equipe de apoio à expedição, organizamos nossas coisas para seguir entre canoa e a pé, seja entre água, areia, mata e até pedras, tudo para chegar até o Körepakupayvena. Seguimos caminhando até chegar ao mirante Laime.

Jô Viajou brincando de se balançar no cipó criado pelo Adamaka.

Mirante Laime

E, após algum tempo de caminhada, fomos atravessando mata a dentro, passando por igarapés (riachinhos), por uma floresta alta e até vimos uma pequena cobra pelo caminho, que correu ao nos ver, não trazendo dano algum a ninguém da equipe. Ah, vale ressaltar que todo a nossa viagem contamos com guias altamente capazes em nos conduzir e, que salvo engano, cada um falava no mínimo 4 idiomas, e entre eles estavam a língua materna, o francês, o inglês e o espanhol, tinham outros que falavam até alemão.

Passamos por áreas alagadas, mas que estavam assim, com pedaços de troncos para ajudar na travessia

E caminhamos até chegar aí, em nosso primeiro mirante, conhecido como mirante Laime, onde paramos, e literalmente ficamos sem fôlego diante de toda aquela perfeição da natureza, 979m de queda d´água, bom pessoal, apresento a vocês o SALTO ANGEL!

Nayra fazendo pose de: apresento a todos o Salto Angel, no Mirante Laime

Mirante Wairarimö dapon – Mirante dos Japoneses

Após nossa primeira vista, continuamos subindo até chegar no Mirante Wairarimö dapon, conhecido como Mirante dos Japoneses, paramos ali para almoçar, fazer algumas fotos e depois seguir, só alguns, outros preferiram permanecer ali.

Sempre rola aquelas fotos de perspectiva, no caso aí queria dizer estava pegando um pouco de água, ou que o café estava tão quente que a fumaça estava saindo da caneca. Ah, a caneca é de nosso parceiro Quatorze08

Ah, desde que saímos de Boa Vista/RR, o Beto, dono da Clube Native e um dos responsáveis pela FamTrip, queria fazer um pedido de casamento à sua amada Amada Nayra, e combinou comigo para eu levar o papel do pedido, imagina aí a responsabilidade, pois ele iria pedir ela em casamento em frente ao Salto Angel.

Olha aí o papel que ficou comigo por 9 dias, pense na responsabilidade
Rolou até pedido de casamento, no Mirante dos Japoneses, em frente ao Salto Angel
Beto colocando a aliança na Nayra

Parede do Salto Angel

Após participar fotografando o pedido de casamento do Beto para a Nayra, seguimos até chegar debaixo do Salto Angel, mas antes tocamos em sua parede, parece até algo comum para alguns, mas para mim foi algo muito especial, pois pude sentir aquele lugar e toda sua energia.

Fui um dos poucos do grupo a seguir até bem próximo de onde caia as águas do Salto Angel, e pude tocar em sua parede

Seguimos caminhando até chegar ali, bem perto, ao ponto de sentir sua água nos molhando, quando estava quase debaixo, preferi ficar um pouco antes da queda d´água, e meditar um pouco, agradecendo por tudo que estava vivendo. Outros seguiram e tomaram banho debaixo dela, mas acabei todo molhado com a água que vinha em formato de chuva.

Chegamos tão perto que pudemos sentir não só a água que parecia com chuvisco, mas também toda energia que ela emanava
Cada vez mais perto da queda d´água de 979m
Os chuviscos trazidos pelas águas que caem do Salto Angel mais pareciam chuvas, mas a energia que carregavam era demais!

Korepa Kupay – Poço do Salto Angel

Após todas estas emoções que vivemos neste dia, aproveitamos para nos banhar no Korepa Kupay, traduzido como Poço do Salto Angel, curtir com toda a turma da expedição, e com certeza agradecer a Deus por toda aquelamaravilha que Ele criou.

Essa turma de loucos por viagem banhando nas águas do Salto Angel
Nunca imaginei que iria estar ali, sonhei milhares de vezes com o Salto, e neste dia, me senti extremamente realizado

Acampamento Kaikarwa

Voltamos para o acampamento Kaikarwa, onde começamos a arrumar nossas coisas, pois aquela seria a última noite naquele lugar, não tivemos a sorte de pegar um arco-íris como o da foto abaixo, mas o nosso amigo Antonio Hitcher, que é um dos grande nomes da região e que fotografa muito ali, foi abençoado com esta imagem. Vale lembrar que organizou juntamente com o Capitão Gral, que é a autoridade legitima setorial do povo Pemon Kamarakoto.

Arco-Íris sobre Salto Angel (Foto: Antonio Hitcher)
E vimos, de frente de nosso acampamento, o sol cair sobre ele, o Salto Angel

NONO DIA

Amanhecer em frente ao Santo Angel, ele sabia que iríamos embora e ele se mostrou, ficou ali para se despedir

Rios Churun e Karak

Após acordar, tomar aquele delicioso café e ser abençoado com a imagem do Salto Angel, nos despedimos dele e seguimos viagem de barco pelos rios Churun e Karak, dois rios caudalosos, e que por algumas vezes tivemos que descer do barco, continuar um trecho a pé até chegar numa outra parte mais calmo.

Seguindo por mais algumas horas de barco até chegar ao parque Canaima

Laguna de Canaima

E, depois de algumas horas de barco, chegamos até o Parque Canaima, e que lugar lindo aquele hein? Pudemos avistar a tão conhecida Laguna de Canaima, alguns amigos meus já haviam estado ali, e eu sempre ficava admirando suas fotos, agora era minha vez de poder curtir aquele momento.

Laguna Canaima
Laguna Canaima

Waka wena – Hacha

Waka wena – Hacha
Waka wena – Hacha
Waka wena – Hacha

Sarimpa wena – Salto Sapo

Arco-íris que se formou em frente à Sarimpa wena – Salto Sapo
Sarimpa wena – Salto Sapo
Sarimpa wena – Salto Sapo

Acampamento Ucaima

Após conhecer um pouco do parque Canaima, seguimos até o Acampamento Ucaima, onde nos hospedamos. Logo na chegada pelo rio Carrao, fomos recepcionados pela proprietária do local, que nos recebeu com grande sorriso, nos apresentou todo o Acampamento, e nos levou até nossos quartos, e só posso dizer, eram muiiiiito confortáveis, tinha até água quente. 

E após conhecer estes lindos lugares no parque Canaima, fomos descansar no Ucaima Lodge, onde passaríamos nossa última noite na região
Jô Viajou curtindo a vista no Ucaima Lodge

Wakü Lodge

Após deixarmos nossas coisas em nossos quartos, seguimos de barco até o Wakü Lodge, um super hotel que tem na região, onde fomos muito bem recepcionados, logo na chegada de barco colocaram em nós colares, entramos em alguns carros adaptados e seguimos até o hotel, puro luxo, desde a recepção, com bebidas, araras e tucanos voando livremente para todo lado, quartos sensacionais e o almoço estava divino.

Ao chegar próximo onde fica o Wakü Lodge, chegamos de barco haviam carros e pessoas ali nos esperando para nos recepcionar
Recepção no Wakü Lodge
Além de ter dois restaurantes para melhor atender a todos os clientes

Wakü Lodge

Ao fundo do Wakü Lodge, está a laguna Canaima
Como não curtir estas vistas, além de ter um atendimento sensacional
Área dos quartos do Wakü Lodge
Quartos fantásticos e camas super confortáveis

Voltando para o Acampamento Ucaima

Acampamento Ucaima

Após conhecermos o Wakü Lodge, voltamos para nosso acampamento Ucaima, onde já havia uma deliciosa janta nos esperando. Comemos e tivemos uma reunião com os grandes organizadores desta FamTrip, Capitão Gral, que é a autoridade legitima setorial do povo Pemon Kamarakoto, que nos falou sobre toda a região, suas lendas, história e principalmente sobre o seu povo e sobre o turismo na região.

Pense numa área linda a do Acampamento Ucaima
Tivemos uma reunião com os grandes nomes da região que colaboraram com a FamTrip e um dos principais nomes era do Cap Gral

DÉCIMO DIA

Nascer do sol sobre o rio Carrao, visto do acampamento Ucaima

Acordamos cedo para ver este fantástico nascer do sol sobre o rio Carrao e ao fundo, Los Testigos, aquelas serras por trás de onde o sol esta saindo. Toda esta beleza vista no mirante do Acampamento Ucaiama. Depois seguimos para um delicioso café da manhã, arrumamos nossas e, prontos para conhecer um pouco mais do Parque Canaima.

Ara Merú Lodge

Nos despedimos do Acampamento Ucaima e seguimos pelo Parque Canaima até visitarmos dois hotéis de luxo da região, com direito a hidromassagem, academia, restaurante de luxo e até discoteca. O primeiro que visitamos foi o Ara Merú Lodge e logo o Acampamento Canaima, neste segundo a visita foi um pouco rápida, por que a comunidade local estava nos aguardando para se despedirem de nossa equipe.

Área da piscina do Ara Merú
Quartos super confortáveis
Fizemos uma visita rápida ao Campamento Canaima, outra opção de hospedagem na região
E, antes de viajarmos, todo os envolvidos nesta expedição estavam ali, para se despedir de nossa equipe

Estavam presentes em nossa despedida, além de toda comunidade e empresários locais, as maiores autoridades da região, o Cacique  de Kanaimö señor Roberto Simon, o Cacique de Kamarata señor Enrique Carballo e o Cacique General sector II Kamarata-Kanaimö señor Domingo Castro. Também estavam todos os membros da expedição que nos deram suporte e nossos guias.

Cantaram pra nós
Nos serviram com seus melhores alimentos

Depois destes momentos emocionantes e de celebração, junto a todos que fizeram possível nossa viagem, fomos convidados a degustar de sua comida. Nos despedimos de todos com aquele aperto no coração e com a certeza de que algum dia estaria ali de novo, revendo a todos!

E nós ficamos extremamente gratos pela recepção

E chegou a hora de ir pra casa, naquele mesmo avião, o que usamos para chegar na região de Kamarata, para 14 pessoas, mas que tem um piloto muito experiente, que mesmo com muita chuva nos levou seguros até o aeroporto de Santa Elena de Uairén. De lá fomos de carro 4×4 até a fronteira com o Brasil e na van da equipe da Clube Native até Boa Vista.

Sera que tenho medo de voar de avião? (avião pequeno, para 14 pessoas e ainda estava chovendo)

Foram 10 dias de viagem, mais de 700km de barco, quase de 4h de avião (entre ida e vinda), fora os quilômetros de carro e a pé, mais de 15 comunidades indígenas nos receberam, cada uma com o seu melhor, não apenas o físico, mas também o emocional, o espiritual. Vivi uma experiência única por cada lugar que passava, e me emocionava e agradecia sempre ao mesmo tempo por poder estar ali. 

Lembrando do Thiago jogando bola com as crianças da comunidade

De repente, depois de tudo que eu vivi, de passar 10 dias sem comunicação, de enfrentar frio, calor, chuva, insetos, de sair de meu conforto e viver esta experiência, você pode me perguntar se esta viagem valeu a pena ou se eu faria novamente, e a minha resposta seria: PODEMOS IR AGORA?

Lembrando da Lila (Nós dois por aí) com as meninas da comunidade
Visite a região de KAMARATA-KANAIMÖ

Famtrip pelo Sector II – Kamarata-Kanaimö, no rumo para o Salto Angel – Parte 1

Famtrip pelo Sector II – Kamarata-Kanaimö, no rumo para o Salto Angel – Parte 2

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